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Gazeta Valeparaibana

"Analfabeto não é aquele que não aprendeu a ler. Analfabeto é aquele que aprendeu a

ler e não lê."

Mário Quintana

Onde estamos: São José dos Campos - SP - Brasil

Um estadista de verdade

Neste século XXI, o mundo já não está divido entre os antagônicos blocos liderados pelos Estados Unidos e União Soviética. A União Soviética já não existe mais. Mas os países ocidentais ainda se incomodam com a posição russa na geopolítica. Por que a Rússia é tão incômoda ao Ocidente?

Porque a nação russa tem orgulho de sua identidade, tem respeito próprio, e o Presidente Vladimir Putin personifica o respeito próprio que o povo russo tem a si mesmo. Diferente do Boris Yeltsin, que fez da Rússia nos anos 90 um país fraco e submisso ao Ocidente, Vladimir Putin faz a Rússia ser forte e soberana. Putin é um Estadista com E maiúsculo, que está restaurando a Rússia como 

protagonista geopolítica. Vladimir Putin apoiou os Estados Unidos de Bush na guerra ao terror, no começo deste século, mas os atritos começaram em 2014, durante a crise política da Ucrânia.

Vladimir Putin não é um ser humano desprovido de defeitos humanos. É um político autoritário, repressor, tem posturas conservadoras, não é alguém que valoriza direitos humanos e nem princípios democráticos. É um governante que faz ferrenha repressão aos seus opositores políticos. Contudo, Putin é alguém de personalidade forte e capaz de governar com firmeza, o que inspira a segurança e confiança em muitos cidadãos russos. Sim, é um Estadista que tem lá as suas características desagradáveis.

Os Estados Unidos da América já estão entrando em decadência enquanto superpotência mundial, o poder geopolítico de Washington D.C. declina diante de uma China ascendente, e as oligarquias dos EUA estão histéricas, não estão conseguindo lidar com isso em paz. Impérios ascendem e caem, os Estados Unidos são mais um deles. Os Estados Unidos não ficaram satisfeitos em ter a América Latina como o seu quintal, o Oriente Médio ainda tem alguns ditadores ou déspotas pró-Ocidente vassalos de Washington, a Europa e o Japão lhes são subservientes, mas a Casa Branca e o Capitólio querem mandar no planeta inteiro através da sua Nova Ordem Mundial que é a globalização neoliberal.

Mas há povos que não se sentem parte integrante de uma comunidade mundial, não querem participar dessa ordem mundial defendida pelo Ocidente liderado pelos Estados Unidos, ou pela União Europeia liderada pela Alemanha, os russos não veem a si mesmos nem como cultura europeia e nem como cultura asiática, mas como um tipo de civilização singular distinta.

O fato de um brasileiro gostar de elementos de culturas estrangeiras não cancela a sua identidade brasileira. Por exemplo, uma determinada pessoa nasceu e cresceu no Brasil, fala a variante brasileira do português, mas pode gostar dos filmes de Hollywood, pode gostar de comer cachorro-quente, x-burguer, pode gostar de assistir o Super Bowl e basebol americanos, aprender inglês, nada disso vai lhe fazer deixar de ser brasileiro e lhe transformar em norte-americano. Pode gostar de comer yakisoba com hashi, de comer sushi, aprender japonês e ler mangá, ouvir K-Pop, nada disso vai lhe fazer deixar de ser brasileiro e lhe transformar em japonês ou sul-coreano. Isso tudo só significa que se trata um indivíduo flexível ao multiculturalismo, tolerante aos costumes de outros povos, mas nem todos os seres humanos são assim. Há pessoas neste planeta que prezam muito a sua identidade cultural nacional, suas tradições ancestrais, e tais valores lhes são caros.

Sobre os ideais liberais do Ocidente, ou as oligarquias ocidentais ou realmente não percebem que na prática se comportam de forma autoritária e impositiva (o que é improvável) ou percebem e caem no erro de achar que ninguém vai notar que estão se comportando de forma autoritária e hipócrita. Por mais imoral que seja recusar a democracia liberal proposta pelo Ocidente, o que é um fato desagradável, mas é fato, é que nem todas as culturas da Terra estão preparadas para lidar com o Estado democrático de Direito. Nem todos os povos tem maturidade para lidar com a democracia. E nem todos os povos lidam com o modo de produção capitalista da mesma exata forma. Nem tudo que se aplica nos Estados Unidos ou na Europa pode ser aplicado ao restante do mundo. A Rússia prefere o nacionalismo econômico e não está errada. Os russos não são obrigados a sacrificar a si mesmos para satisfazer as vontades do Ocidente. 

Na Segunda Revolução Industrial, o Ocidente, principalmente a Europa, promoveu uma expansão imperialista sobre a África, Ásia e Oceania, recorrendo a argumentos etnocêntricos como justificativa, e os EUA também com a sua doutrina Monroe de “A América para os americanos” e o Big Stick, e hoje o Ocidente é falso moralista, arrogante, se acha guardião dos direitos humanos e dos princípios democráticos, se acha modelo a ser seguido pelo restante do mundo. E os Estados Unidos da América se acham a polícia do mundo com o seu intervencionismo maníaco em outras regiões do mundo. Os cidadãos comuns dos Estados Unidos também são vítimas do sistema, pois boa parte daquela sociedade é alienada, sofre lavagem cerebral da mídia. E a parte daquela sociedade que tem consciência está de “mãos atadas” pois não têm condições de vencer os poderosos lobbies que agem na política daquele país. Não é questão de ser socialista e nem de ser contra o capitalismo. É questão de se ter bom senso, de ser honesto quanto às intenções. O compromisso de Vladimir Putin é com a Rússia, não está interessado em agradar poderes estrangeiros. Ninguém que tenha a consciência desperta vai atentar contra os seus próprios interesses para agradar interesses de outros, e nem vai aceitar que gente de fora exerça autoridade dentro do seu espaço. Só quem tem complexo de vira-lata é que acha louvável gente de fora ter autoridade dentro da sua própria casa, gente que não tem vergonha na cara e nem respeito próprio.

O Vladimir Putin está coberto de razão quanto a optar pelo nacionalismo econômico para a Rússia. Ele é um estadista de verdade neste século XXI.

João Paulo E. Barros.

 

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